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Obra de Arte Grega

Dicas e Curiosidades (06/12/11)  
A Luta Olímpica – que hoje disputa 72 medalhas nos Jogos Pan-americanos e nos Jogos Olímpicos e é praticada em vários países que lideram o quadro de medalhas nestas disputas, com a formação dos atletas começando já num programa escolar - juntamente com o atletismo é uma das modalidades mais antigas de que se tem notícia, além de serem as mais antigas dos Jogos Olímpicos, figurando desde 1896, no caso do estilo Greco-romano, e desde 1904, no estilo livre. Platão e Aristóteles foram praticantes dessa modalidade na Grécia antiga. Após o início dos Jogos Olímpicos da era Moderna, essa modalidade popularizou-se tanto que ainda hoje as estimativas mais modestas apontam que existem cerca de dezesseis wrestlers (como são chamados os lutadores da modalidade) para cada judoca no mundo.

As datas são fundamentais para se entender a distância entre essa e quaisquer outras modalidades de luta que figuram nos Jogos. O Judô, por exemplo, somente em 1972 ganhou o aval do Comitê Olímpico para se tornar modalidade Oficial nos Jogos Olímpicos, embora tenha sido esporte de demonstração em 1964, em Tókio, e não haver participado em 1968, no México. A admissão do taekwondo nesse hall foi ainda mais tardia: somente em Seul, em 1988. A Luta Greco-romana figura nos Jogos desde 1896.

Existem centenas de estilos diferentes de Luta Corporal ao redor do mundo. E muitas civilizações que possuem tribos indígenas, ainda seguem estes estilos que são considerados folclóricos e/ou tradicionais. No Brasil, os índios do Alto Xingu praticam uma modalidade de luta denominada HUKA-HUKA, que muito se assemelha a Luta Olímpica estilo livre.

A Luta Olímpica não se trata de uma arte marcial e sim de uma expressão cultural presente na cultura de todos os povos. Lembrando que os Gregos, criadores da Luta, são os mesmos gregos criadores da “Ética”, da “cidadania” dentre inúmeras contribuições conceituais e estruturais que vêm desde os radicais gregos em nossa riquíssima língua portuguesa, até conceitos mais do que assimilados por nossa cultura.
As lutas são da natureza de nosso povo. O reconhecimento dessa natureza consta até mesmo de nosso hino (“... Verás que o filho teu não foge à luta...”).

Estive nos torneios pré-olímpicos de Colorado Springs (EUA), Martigny (SUI) e Varsóvia (POL), buscando uma vaga nos jogos de Pequim na categoria de peso até 96 KG, disputada por cerca de 55 países. Como integrante da Seleção Brasileira, pude aprender muito com minhas lutas e assistindo de perto, observando os detalhes, os gestos, o choro e a dedicação dos melhores do mundo. Hoje consigo entender porque o sueco deixou a medalha de bronze no podium, o que se passou na cabeça dele naquele instante.

Não devemos nos contentar com a vergonha brasileira em Londres, somos milhões, existem milhares de talentos, crianças fortes, inteligentes, cheias de vontade e esperança de uma oportunidade, sendo desperdiçadas pela falta de organização governamental, amor ao esporte e mobilização do povo, pois existem coisas que devem ser passadas de pai para filho. Quero um dia ser lembrado como um colaborador da luta olímpica, alguém que a aplicou como filosofia de vida superando a cada dia seus limites.

Os desafios são muitos, mas a história me inspira a prosseguir no objetivo de difusão e popularização desta magnífica “obra de arte grega” chamada Luta Olímpica.



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