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Estreante, Magrão fala de treinos com Wanderley Silva


    (16/05/12)  

Campeão do Jungle Fight, Marcelo “Magrão” Guimarães estreia no UFC contra Dan Sittgen, dia 11 de julho, pelo UFC on Fuel 4. O brasileiro, que costumava atuar entre os pesos médios, desceu de categoria para entrar na organização e espera repetir o sucesso alcançado no cenário nacional, onde acumulou sete vitórias e jamais perdeu.

Em primeira mão à TATAME, o lutador, que treinou seis semanas com Wanderlei Silva, nos Estados Unidos. Empolgado por ter ficado ao lado do ídolo, Magrão ouviu os conselhos do “Cachorro Louco”, a quem ajudou a afiar o chão.

“Foi uma satisfação muito grande. Aumentou minha autoconfiança, me deixou motivado treinar com uma lenda do MMA. Além de ser casca-grossa, ele me deu uns toques sobre os bastidores, em relação a internet, comportamento com a imprensa, patrocinadores. Falou que tem muita gente que quer se aproximar por estar no UFC, tirar proveito. Foi uma experiência muito boa. Não conhecia esse lado dele”.

Confira abaixo a entrevista completa:

Como enxerga o jogo do seu adversário?
Ele é um cara muito forte, já lutou na categoria de pesado e desceu pra 77kg agora. É um grappler com muita força bruta, joga muito nas pernas, insistindo no takedown. É um cara complicado para quem quer trocar. Corre o risco de ser nocauteado porque ele tem a mão pesada. Ele tem um bom condicionamento físico, então castiga no primeiro round para chegar moendo nos seguintes.

Qual será a estratégia para sair com a vitória?
Vou buscar a finalização. Sou faixa-preta de Jiu-Jitsu e tenho uma base boa de Wrestling. Se a luta apertar em pé, vou botar para baixo. Se apertar no chão, vou subir. O Wrestling é o divisor de águas do MMA. Quem não quer ir para o chão, usa o Wrestling para se defender. Quem quer levar para o solo, usa para atacar. Depois tem que ter o Jiu-Jitsu para dar continuidade, que é meu forte. Estou treinando bastante Muay Thai também para a mão ficar afiada.

Como está a expectativa para debutar no maior evento do mundo?
Estava correndo atrás disso há muito tempo, bati na trave algumas vezes. Tive uma lesão na virilha na seletiva do TUF e tive que sair. Tentei o UFC Rio, mas não deu certo. Estava meio desanimado quando surgiu a notícia de que eu estava contratado. Estava embarcando para Las Vegas para um camp de seis semanas com o Wanderlei. Viajei amarradão.

Teme que a mudança de categoria atrapalhe seu rendimento?
Há aquela responsabilidade toda, sou campeão do Jungle, e o pessoal espera o melhor da minha luta. Quanto mais você luta, vão marcando seu jogando. Por isso, tem que aperfeiçoar e buscar coisas novas. Já lutei na categoria até 93kg nas minhas duas primeiras lutas. Desci para 84kg quando fui para o Jungle e agora no UFC vou estrear na 77kg. Sou um pouco menor para a categoria dos médios. Sou um pouco menor que o Anderson (Silva), Wanderlei e Vitor Belfort. Vai ser um desafio a mais, tenho que perder 13 quilos até o evento. Estou com 90kg agora. No Brasil é mais fácil perder peso, estou em casa, perto da família. Lá fora a gente fica sozinho, precisa se virar e acaba comendo na rua. Quero deixar para perder apenas 5kg na sauna, que é tranquilo. O mais importante, além de baixar o peso, é recuperá-lo bem para ficar forte na categoria.

Como se deu a ida para os Estados Unidos?
A princípio eu ia passar uma semana na American Top Team (ATT), mas o Vitor Vianna, que é aqui do Espírito Santo e dá aula para o Wanderlei, me chamou dar uma força para o Wand. Cheguei junto com o Wand, treinamos seis semanas. Ele está treinando forte para a luta dele e eu também. Eu precisava melhorar a trocação e ele queria fazer a parte de chão e quedas. Tem uma galera muito dura lá. Não sabia que tinham tantos atletas bons. Na academia tem uma sala que simula 2800m de altitude, que ajuda muito a melhorar o gás.

Como está sendo sua preparação para a luta?
Vou fazer minha preparação toda com a minha equipe aqui no Espírito Santo. Estou bem assessorado e não quero sair daqui para treinar por mais que Rio e Brasília tenham atletas de ponta. Isso não faz diferença para mim. Quero estar com quem sempre esteve comigo desde que comecei. Vou entrar no UFC com eles e conquistar tudo com eles. Não quero trocar por uma equipe mais famosa. Não tenho essa síndrome de vira-lata. Em time que está ganhando não se mexe. Tenho amigos, família, tudo que preciso está aqui.

O que aprendeu com o Wanderlei?
A primeira luta que assisti foi a dele contra o Sakuraba, quando eu tinha 15 anos. Assisti e fiquei desanimado, não queria treinar, morri de medo. Depois passei a treinar Jiu-Jitsu e falei quero ser igual ao Wanderlei. Achava que nunca conseguiria, que não tinha coragem e agora fiz camp com ele. Foi uma satisfação muito grande. Aumentou minha autoconfiança, me deixou motivado treinar com uma lenda do MMA. Além de ser casca-grossa, ele me deu uns toques sobre os bastidores, em relação a internet, comportamento com a imprensa, patrocinadores. Falou que tem muita gente que quer se aproximar por estar no UFC, tirar proveito. Foi uma experiência muito boa. Não conhecia esse lado dele.

No ano passado, em entrevista à TATAME, você falou que foi vaiado em seu estado durante uma luta, pois consideram seu estilo de luta “amarrado” e no UFC um atleta empolgante é valorizado mesmo que perca a luta. Como vê essa situação?
O pessoal reclama muito aqui porque tenho um jogo de levar para o chão. O (Chael) Sonnen tem um estilo assim também, de derrubar e ficar no ground and pound, e nem por isso o Dana White não gosta dele. Independente do jogo, de puxar para guarda, para meia-guarda, sempre me mantenho ativo na minhas lutas, não paro um segundo. Às vezes quem reclama é quem não entende, acha que luta é soco e pontapé. Um cara como Dana vê Wrestling, Jiu-Jitsu, ground and pound. Acho que alguém com olhar clínico sabe que é uma luta técnica. Cada lutador tem sua praia e não vou mudar meu estilo por isso. O que me faz crescer é ganhar luta, uma, duas, três e por aí vai. Todo lutador tem que melhorar, é claro, mas precisa manter sua origem sempre.
Fonte: Marcelo Barone